Estudos Bíblicos

A IGREJA E O PERÍODO DA INQUISIÇÃO

INQUISIÇÃO

SIGNIFICADO E OBJETIVO

Também chamada de Santo Ofício, INQUISIÇÃO era a   designação dada a um tribunal eclesiástico, vigente na  Idade Média e começos dos tempos modernos. Esse    Tribunal, instituído pela Igreja Católica Romana, tinha por   meta prioritária julgar e condenar os hereges. A palavra "herege" significa aquele que escolhe, que professa               doutrina contrária ao que foi definido pela Igreja como   sendo matéria de fé. Então, todos os que se rebelavam contra a autoridade papal ou faziam qualquer espécie de    crítica à Igreja de Roma eram considerados hereges.

INQUISIÇÃO é o ato de INQUIRIR: indagar, investigar, pesquisar, perguntar, interrogar judicialmente. Os hereges   seriam os "irmãos separados", os "protestante", os  "crentes", os "evangélicos" de hoje.

Em suma, a INQUISIÇÃO foi um tribunal eclesiástico  criado com a finalidade de investigar e punir os crimes   contra a fé católica. Da Enciclopédia BARSA, vol 7, pags. 286-287 extraímos o seguinte: " Heresia, no sentido geral    é uma atitude, crença ou doutrina, nascida de uma  escolha pessoal, em oposição a um sistema comumente               aceito e acatado. É uma opinião firmemente defendida   contra uma doutrina estabelecida. A Igreja Católica, no   seu Direito Canônico, estabelece uma distinção entre   heresia, apostasia e cisma. Assim diz este documento:

"Depois de recebido o batismo, se alguém, conservando o  nome de cristão, nega algumas das verdades que se   devem crer com fé divina e católica ou dela duvida, é    HEREGE. Se afasta-se totalmente da fé cristã, é    APÓSTATA. Se recusa submeter-se ao Sumo Pontífice (o     Papa) ou tratar com os membros da Igreja aos quais está    sujeito, é CISMÁTICO" .              

Então, por esse raciocínio e decreto de Roma, os milhões   de crentes no mundo são hereges e cismáticos porque    negam muitas das "verdades" da fé católica, não se   submetem ao Sumo Pontífice, e só reconhecem Jesus   Cristo como autoridade máxima da Igreja. De acordo com o que foi noticiado em janeiro/98 pelos    jornais, a Igreja Católica Romana resolveu abrir os arquivos do Santo Ofício ou Inquisição, colocando-os à disposição   dos pesquisadores. Nesses arquivos constam 4.500 obras   sob fatos e julgamentos de quatro séculos da Igreja   Católica, conforme noticiado. A abertura desses  processos é de muita valia para os pesquisadores, historiadores e interessados em conhecer um pouco mais   do passado negro da Igreja de Roma. Nem por isso a     humanidade deixou de conhecer as crueldades, as     chacinas, o extermínio, as torturas que tiraram a vida de    milhões de hereges. Os arquivos do Vaticano vão mostrar,               certamente, com mais detalhes, como foram conduzidos   os processos sumários e quais os métodos usados para     obter confissões e retratações. Todavia, a guarda a sete               chaves dessas informações não impediu que o mundo tomasse conhecimento dos crimes cometidos pelos   tribunais inquisitórios. A História não pode ser apagada.

MASSACRES

O Massacre De São Bartolomeu

O massacre de São Bartolomeu ou a Noite de São Bartolomeu ficou conhecido como "a mais horrível entre as ações diabólicas de todos os séculos". Com a   concordância do Papa Gregório XIII, o rei da França, Carlos IX, eliminou em poucos dias milhares de huguenotes. A matança iniciou-se na noite de 24.08.1572, em Paris, e se estendeu a todas as cidades onde se   encontravam protestantes. Segundo Ellen G. Write, em  seu Livro "O GRANDE CONFLITO", foram martirizados               cerca de setenta mil nesse massacre. "Quando a notícia   do massacre chegou a Roma, a alegria do clero não teve  limites. O cardeal de Lorena recompensou o mensageiro               com mil coroas; o canhão de Santo Ângelo reboou em   alegre salva; os sinos dobraram em todos os  campanários; e o Papa Gregório XIII, acompanhado dos  cardeais e outros dignitários eclesiásticos, foi, em longa     procissão, à igreja de S.Luís, onde o cardeal de Lorena   cantou o Te Deum. Um sacerdote falou "daquele dia tão     cheio de felicidade e regozijo, em que o santíssimo padre   recebeu a notícia e foi em aparato solene dar graças a    Deus e a S.Luís"

O Massacre Dos Albigenses

Albigenses eram os   nascidos na cidade de Albi, sul da França. Em 1198, por               iniciativa do Papa Inocêncio III, foram instituídos "Os  Inquisidores da Fé contra os Albigenses". Esses franceses foram considerados "hereges" porque seus               ensinos doutrinários não se alinhavam com os da Igreja de  Roma. O extermínio começou no ano de 1209 e se  estendeu por 20 anos, quando milhares de albigenses   pereceram. Fala-se em mais de 20.000 mortos, entre   homens, mulheres e crianças.

O Massacre Da Espanha

Tomás de Torquemada (1420-1498), espanhol, padre dominicano, nomeado para    cargo de grande-inquisidor pelo Papa Sisto IV, dirigiu as    operações do Tribunal do Santo Ofício durante 14 anos. "Celebrizou-se por seu fanatismo religioso e crueldade".      De mãos dadas com os reis católicos, promoveu a   expulsão dos judeus da Espanha por édito real de    31.03.1492, tendo estes o prazo reduzido de quatro    meses para se retirarem do país sem levar dinheiro, ouro  ou prata. É acusado de haver condenado à fogueira 10.220   pessoas, e cerca de 100.000 foram encarceradas, banidas  ou perderam haveres e fazendas. Tudo em nome da fé   católica e da honra de Jesus Cristo. 

O Massacre Dos Anabatistas

Grupo religioso  iniciado na Inglaterra no século XVI, que defendia o  batismo somente de pessoa adulta. Por autorização do  Papa Pio V (1566-1572), cem mil foram exterminados.

O Massacre Em Portugal

Diante dos insistentes   pedidos de D. João III, o Papa Paulo III introduziu, por bula de 1536, o Tribunal do Santo Ofício em Portugal. As   perseguições foram de tal ordem que o comércio e a      indústria na Espanha e em Portugal ficaram praticamente     paralisados. "As execuções públicas eram conhecidas               como autos-de-fé. No começo, funcionaram tribunais da     Inquisição nas diversas dioceses de Portugal, mas no    século XVI ficaram apenas os de Lisboa, Coimbra e Évora. Depois, somente o da capital do reino, presidido pelo       inquisidor-geral. Até 1732, em Portugal, o número de    sentenciados atingiu 23.068, dos quais 1.554 condenados    à morte. Na torre do Tombo, em Lisboa, estão registrados    mais de 36.000 processos". Daí porque os 4.500               processos constantes dos arquivos de terror do Vaticano -   Os Arquivos do Santo Ofício - recentemente liberados aos   pesquisadores, não contam toda a história da desumana    Inquisição.

A Inquisição Em Cuba

Não havia parte nenhuma no   mundo onde os protestantes ou hereges estivessem livres   para o exercício de sua fé. Partindo da Europa, muitos procuraram refúgio nas Américas do Sul e Central, o "Novo Mundo". Mas para cá também vieram os inquisidores. A   inquisição em Cuba iniciou-se em 1516 sob o comando de   dom Juan de Quevedo, bispo de Cuba, que, com requintes   de maldade, eliminou setenta e cinco "hereges".

A Inquisição No Brasil

A Inquisição se instalou no Brasil em três ocasiões: Em    09.06.1591, na Bahia, por três anos; em Pernambuco, de 1593 a 1595; e novamente na Bahia, em 1618. Há notícia  de que no século XVIII Inquisição atuou no Brasil. Segundo o jornal "Mensageiro da Paz", número 1334, de maio/1998, "cento e trinta e nove" pessoas foram queimadas vivas, no Brasil, entre os anos de 1721 e 1777. Todos os que confessavam não crer nos dogmas católicos eram sentenciados. Praticamente a     metade dos prisioneiros brasileiros cristãos-novos no século 18 era mulheres. Na Paraíba, Guiomar Nunes foi condenada à morte na fogueira em um processo julgado em Lisboa. A Inquisição interferiu profundamente na vida colonial brasileira durante mais de dois séculos. Um dos exemplos dessa interferência era a perseguição aos descendentes de judeus. Os que estavam nessa condição podiam ser punidos com a morte, confisco dos bens e na   melhor das hipóteses ficavam impedidos de assumir cargos públicos".

 

Pr. Adelcio Ferreira

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