Estudos Bíblicos

A IGREJA DOS PRIMEIROS SÉCULOS

 "Lembra-te dos dias da antigüidade, atenta para os anos de muitas gerações: pergunta a teu pai e ele te informa, aos teus anciãos e eles to dirão." - Deut. 32:7.

  1.     0 que conhecemos hoje como "Cristianismo" ou religião cristã começou com Cristo entre os anos 25 e 30 da nossa era, dentro dos limites do Império Romano. Este foi um dos maiores impérios que o mundo tem conhecido em toda a sua história.
  2.     Império Romano abrangia quase a totalidade do mundo conhecido e habitado. Tibério César era o seu imperador.
  3.     Quanto à religião o Império Romano era pagão. Tinha uma religião politeísta, isto é, de muitos deuses. Alguns eram deuses materializados e outros deuses imaginários. Havia muitos devotos e adoradores desses deuses. Não era simplesmente uma religião do povo, mas também to Império. Era uma religião oficial. Estabelecida por lei e protegida pelo governo. (Mosheim Sancionada, vol. 1, cap. 1).
  4.     povo judeu deste período não constituía propriamente uma nação separada, uma vez que se encontravam judeus espalhados através de todo o Império. Eles tinham ainda o seu templo em Jerusalém e ali vinham adorar a Deus; estavam, pois, ciosos da sua religião. Mas, semelhantemente aos pagãos encheram-se de formalismo e perderam seu poder. (Mosheim, col. 1, cap. 2).
  5.     Não sendo a religião de Cristo uma religião deste mundo, não lhe deu o seu fundador um chefe terreno nem qualquer poderio temporal. Sua Igreja não procurou secularizar-se, nem qualquer, apoio de qualquer governo. Ela não procurou destronar a César. Disse Jesus: "Dai pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mat. 22:19-22; Mar. 12:17; Luc. 20:20). Sendo uma religião espiritual, não visava rivalizar-se com os governos terrenos. Seus aderentes, ao contrário, eram ensinados a respeitar todas as leis civis, como também os governos. (Rom. 13:1-7, Tito. 3:1, I Ped. 2:13-16).
  6.     Desejamos agora chamar sua atenção para alguns dos característicos ou sinais desta religião - a religião cristã. O leitor e eu vamos traçar uma linha através destes 20 longos séculos, e com especialidade, através dos 1.200 anos de trevas da meia-noite, escurecidos pelos rios e mares do sangue mártir, razão porque necessitamos compreender bem estes característicos. Eles serão muitas vezes terrivelmente desfigurados. Não obstante haverá sempre algum característico indelével. Mas ainda nos deixarão de sobreaviso, cuidadosos e suplicantes. Encontraremos muita hipocrisia como também muita farsa. É possível que até escolhidos sejam enganados e traídos. Desejamos se for possível, traçar através da história verossímil, mas principalmente através da história verdadeira e infalível, palavras e característicos da verdade divina.
 
ALGUNS CARACTERÍSTICOS CERTOS E INFALÍVEIS

Se atravessando os séculos encontramos um grupo ou grupos de pessoas fugindo à observância destes característicos distintivos e enunciando outras coisas além das doutrinas fundamentais, tomemos cuidado.

  1.     Cristo, o autor da religião cristã, reuniu seus seguidores numa organização, a que chamou"greja". E aos discípulos competia organizar outras igrejas como também "fazer" outros discípulos. (Baptist. Successions - Ray - Revised Edition, 1o cap.).
  2.     Nesta organização, ou Igreja, de acordo com as Escrituras e com a prática dos apóstolos, desde cedo foram criadas duas classes de oficiais e somente duas: pastores e diáconos. O pastor era também chamado "bispo". Ambos eram escolhidos pela Igreja, e para servirem à Igreja.
  3.     As Igrejas no seu governo e disciplina eram inteiramente separadas e independentes entre si. Jerusalém não tinha autoridade sobre Antioquia; n em Antioquia sobre Éfeso; nem Éfeso sobre corinto e assim por diante. Seu governo era Democrático. Um governo do povo, pelo povo, e para o povo.
  4.     À Igreja foram dadas duas ordenanças, e somente duas, o Batismo e a Ceia do Senhor. São memoriais e perpétuas.
  5.     Somente os "Salvos" eram recebidos para membros das Igrejas. (At. 2:47). Eram salvos unicamente pela graça, sem qualquer obra da lei (Efés. 2:5, 8, 9). Os salvos e eles somente deviam ser imersos em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo (Mat. 28:19). E unicamente os que eram recebidos e batizados participavam da Ceia do Senhor, sendo esta celebrada somente pela Igreja e na capacidade de Igreja.
  6.     Somente as Escrituras Sagradas e, em realidade, o Novo Testamento são a única regra de fé e de vida, não somente para a Igreja como organização, mas também para cada crente como indivíduo.
  7.     Cristo Jesus, O fundador da igreja e O salvador de seus componentes, é o seu único sacerdote e rei, seu senhor e legislador e único cabeça das igrejas. Estas executavam simplesmente a vontade do seu Senhor expressa em suas leis completas, nunca legislavam ou emendavam ou abrigavam velhas leis ou formulavam novas.
  8.     A religião de Cristo era individual, pessoal e puramente voluntária ou persuasiva. Sem nenhuma compulsão física ou governamental. Uma matéria de exame individual e de escolha pessoal. "Escolhei" é a ordem das Escrituras. Ninguém seria aceito ou rejeitado para viver como crente, por procuração ou compulsão de outrem.
  9.     Note bem! Nem Cristo nem os seus apóstolos deram em qualquer tempo aos seus seguidores designações como "Católico", "Luterano", "Presbiteriano", "Episcopal", etc. (A não ser o nome dado por Cristo a João, que passou a ser chamado "O Batista", João Batista". (Mat. 11:11 e 10 ou 12). Outras vezes, Cristo chamou "discípulo" ao indivíduo que o seguia. Dois ou mais seguidores eram chamados "discípulos". A assembléia de discípulos, quer em Jerusalém ou Antioquia ou outra qualquer parte era chamada "Igreja".
  10.     Se eles fossem se referir a mais de uma desses organizações autônomas, as nomeariam como "Igrejas". A palavra "igreja", no singular, nunca foi usada para designar mais de uma destas organizações. Nunca igualmente serviu para designar a totalidade delas.
  11.     Arrisco em dar mais um característico distintivo. chamá-lo-ei - completa separação entre a Igreja e o Estado. Não combinação, não mistura da religião com o governo secular. E adiciono a isto a completa liberdade religiosa para todos.
  12.    Sob a liderança maravilhosa e singular de João Batista, o homem eloqüente do deserto e sob a delicada influencia e milagres e serviços do próprio Cristo e a maravilhosa pregação dos 12 apóstolos e os imediatos, a religião cristã se desdobrou poderosamente nos primeiros 500 anos de sua história. Contudo, por outro lado um terrível rasto de sangue deixou atrás de si. O judaísmo e paganismo contestaram amargamente todo o avanço do movimento. João Batista foi o primeiro dos grandes líderes a dar sua vida. Sua cabeça foi cortada. Logo em seguida, vem o próprio Salvador, o fundador da religião cristã, que morreu na cruz. A cruel morte de cruz.
  13.   Seguindo seu Salvador em rápida sucessão muitos outros heróis foram derrubados pelo martírio. Estevão foi apedrejado, Mateus morto na Etiópia, Marcos arrastado através das ruas até morrer, Lucas enforcado, Pedro e Simeão crucificados. André amarrado a uma cruz, Tiago degolado; Felipe, crucificado e apedrejado; Bartolomeu esfolado vivo; Tomé traspassado com lanças; Tiago, o menor, foi arrancado do templo e espancado até morrer; judas (o zelote) morreu cravejado de flechas; Matias apedrejado e Paulo decapitado!
  14.   Mais que um século se passou antes que todas estas coisas tivessem sucedido. E esta cruel perseguição judeu-pagã continuou por mais dois séculos. E, ainda assim, poderosamente se espalhava a religião cristã. Ela penetrou em todo o Império Romano, Europa, Ásia, África, Inglaterra, Gales e por toda parte onde existia qualquer rasto da civilização. As igrejas multiplicaram-se grandemente e o número de discípulos aumentava continuamente. Todavia, algumas das igrejas começaram a descambar para o erro.
  15.   A primeira das mudanças aos ensinos do Novo Testamento foi no tocante ao governo da Igreja e à doutrina. Nos primeiros dois séculos, as igrejas locais multiplicaram-se rapidamente e algumas mais depressa do que outras, como Jerusalém, Antioquia, Éfeso, Corinto, etc. Jerusalém, por exemplo, tinha muitos milhares de membros (At. 2:41, 4:4, 5:14) possivelmente 25.000 ou talvez 50.000 ou mais. O cuidadoso estudante do livro de Atos e das epístolas verá que Paulo estava permanentemente preocupado em manter algumas das igrejas fiéis, quanto às doutrinas. Veja as profecias de Pedro e Paulo com respeito às futuras igrejas (II Ped. 2:12, At. 20:29-31. Veja também Apoc. caps. 2 e 3).
  16.     Estas grandes igrejas possivelmente tinham grandes pregadores e anciãos. (At. 20:17). Alguns dos bispos e pastores começaram a usar de uma autoridade que não Lhes fora dada no Novo Testamento. Alguns começaram a exercer certa autoridade sobre outras igrejas maiores e também menores. E juntamente a muitos ancião, começaram a assenhorear-se da herança do Senhor (III João 9). Aqui estava o início de um desvio que se multiplicou em muitos erros igualmente perniciosos. Aqui estava o gérmen das diferentes ordens no ministério, chegando finalmente ao que hoje é praticado por outros, tanto quanto pelos católicos. Aqui foi o inicio daquilo que resultou numa mudança radical no governo democrático original das primeiras igrejas. Esta irregularidade começou em pequena escala, ainda antes do início do 22 século. Este foi provavelmente, o primeiro afastamento sério da norma de uma igreja do Novo Testamento.
  17.     Uma outra mudança vital encontrada na História antes do inicio do 2o século foi na grande doutrina de salvação pela graça. Os judeus, assim como os pagãos, tinham sido treinados durante muitas gerações, com a ênfase do culto, no cerimonial. Eles costumavam considerar os tipos pelos antítipos, as sombras pelas substancias reais, tornando o cerimonial como verdadeira agência de salvação. Quão simplesmente chegaram a considerar assim o batismo! Assim eles arrazoavam: A Bíblia tem muito que dizer com relação ao batismo. Muita ênfase é colocada na ordenança e no dever concernente a ela. Evidentemente ela deve ter algo a ver com a salvação. Desta forma criou corpo a idéia da ''Regeneração Batismal", iniciada neste período que começou a ganhar aceitação em algumas igrejas" (Shackelford, pág. 57; Camp. pág. 47; Benedito, pág. 286; Mosheim, vol. 1, pág. 134; Cristiano, pág. 28).
  18.     O erro seguinte a este e, do qual, encontramos menção em alguns historiadores (não todos) teve inicio no mesmo século e podemos dizer que veio como conseqüência imediata da idéia da ''Regenerarão Batismal". Este erro consistia na mudança dos candidatos ao batismo. Depois que o batismo foi considerado como uma agência ou meio de salvação, pelas igrejas desviadas, quanto mais depressa fosse ele administrado, tanto melhor. Em conseqüência surgiu o "batismo infantil". Antes disto "crentes" e "crentes" somente, eram considerados em condições de submeterem-se ao batismo. "Aspersão" e "derramamento" eram formas até então desconhecidas. Vieram muito mais tarde. Por vários séculos os infantes eram, como os demais, imersos. A Igreja Ortodoxa Grega (que é um grande ramo da Igreja Católica) até hoje não mudou a forma original de batismo. Ela pratica o batismo infantil, mas nunca procedeu de outro modo que não o da imersão das crianças. (Nota. alguns historiadores da igreja põem O inicio do batismo infantil neste século, mas eu citarei um pequeno parágrafo das "Robinson’s Ecclesiastical Researches" (Pesquisas Eclesiásticas de Robinson):
PRIMEIRO PERÍODO: 30 A 500 A.D.

Durante os primeiros três séculos as congregações espalhadas no oriente funcionaram em corpos independentes e separados, sem subvenção por parte do governo, e, consequentemente, sem qualquer poder secular da Igreja sobre o Estado ou vice-versa. Em todo esse tempo as igrejas batizavam e, segundo o testemunho os Pais dos primeiros 4 séculos, até Jerônimo (370, A. D.), na Grécia, Síria e África, é mencionado um grande número de batismos de adultos, sem a apresentação de ao menos um batismo de criança, até o ano 370 A. D." (Compêndio de história batista por Shackelford, p. 43; Vedder p. 50; Chrishan p. 31; Orchard p. 50, etc.).

  1.     Convém-nos lembrar que estas mudanças não foram feitas em um dia e nem tampouco dentro de um ano. Elas foram aparecendo lentamente e nunca, a um só tempo, dentro de todas as igrejas. Algumas igrejas vigorosamente as repudiavam. Tanto que em 251 A. D. algumas igrejas leais declararam-se contrárias às igrejas que aceitavam e praticavam tais erros. Desta maneira veio a primeira ruptura completa entre as igrejas.
  2.     Notamos, pois, que durante os três primeiros século houve três e sérios desvios dos ensinos de Cristo e de seus apóstolos. E um significativo evento aconteceu. Note este sumário e recapitulação:
  •        Mudança quanto à concepção da função do bispo ou pastor e do governo da Igreja, conforme aparece nas páginas do Novo Testamento. Esta mudança desenvolveu rapidamente e foi se tornando mais pronunciada, se bem que também altamente nociva.
  •        Mudança quanto aos ensinos do Novo Testamento, com relação à regeneração, pela idéia da ''regeneração batismal".
  •        Mudança no tocante à administração do batismo às crianças, em vez de somente aos crentes. (Esta não se tornou geral e nem tão freqüente até o século seguinte).
  1.    A ''regeneração batismal" e "batismo infantil". Estes dois erros são, na opinião da bem esclarecida história, causadores de maior derramamento de sangue dos crentes, através dos séculos, do que todos os outros erros combinados ou, possivelmente, do que todas as guerras, não contando com as perseguições se deixarmos de lado a primeira "guerra mundial". Mais de 50.000.000 de cristãos sofreram o martírio, principalmente por causa de rejeitarem esses dois erros, no período da "idade das trevas", portanto 12 ou 13 séculos.
  2.   Três eventos significativos podem ser encontrados na história dos primeiros três séculos, os quais foram observados pela grande maioria das igrejas:
  •        A separação e independência das igrejas.
  •        0 caráter subordinado dos bispos ou pastores.
  •        0 batismo somente para crentes.

Vou citar agora Mosheim, o maior de todos os historiadores luteranos - vol. 1, pág. 71 e 72: "Mas qualquer que suponha que os bispos desta idade de ouro da igreja tinham função idêntica à dos bispos dos séculos seguintes, está confundindo coisas bastante diferentes, pois que neste século e nos seguintes um bispo tinha o encargo de uma só igreja, com a qual podia ordinariamente se reunir em uma casa particular; não era ele o senhor da igreja, mas realmente o seu ministro, ou servo... Todas as igrejas nos primitivos séculos eram corpos independentes, nenhuma delas sujeita à jurisdição de qualquer outra. Além disto, as igrejas que tinham sido fundadas pelos apóstolos tinham freqüentemente a honra de consultá-los sobre os casos duvidosos, e, mesmo nestes casos, eles não exerciam uma autoridade judicial, nem controle nem a prerrogativa de dar-lhes leis. Ao contrário, é tão claro como o meio-dia que todas as igrejas cristãs tinham iguais direitos e andavam sob todos os respeitos em pé de igualdade".

  1.  Durante este período, não obstante as muitas e sérias perseguições, o Cristianismo fez maravilhoso progresso. Ele tinha alcançado e ultrapassado os limites do Império Romano. Quase todo o mundo habitado ouviu o evangelho. E, de acordo com alguns historiadores da Igreja, muitas das igrejas neo-testamentárias, organizadas pelos apóstolos, estão ainda intactas e leais aos ensinos apostólicos. Contudo, como temos mostrado, um grande numero de erros característicos e perniciosos foram introduzidos e permaneceram em muitas igrejas. Algumas tornaram-se muito irregulares.
  2.  As perseguições tinham se tornado terrivelmente amargas. Próximo ao inicio do 4o século veio, possivelmente, o primeiro e definitivo édito do governo, autorizando a perseguição. O crescimento maravilhoso do Cristianismo tinha alarmado os líderes pagãos do Império Romano. Então o imperador Galério expediu um édito autorizando mais severa perseguição. Isto ocorreu em 24 de fevereiro de 303 A.D. Até este tempo parece que o paganismo tinha feito a perseguição sem a sanção de uma lei.
  3.  Mas este édito falhou inteiramente no seu propósito de impediu o crescimento do Cristianismo e o mesmo imperador Galéiro, 8 anos depois, promulgou um outro édito anulando o primeiro e concedendo TOLERÂNCIA - permissão para viver a religião de Jesus Cristo. Esta foi provavelmente, a primeira lei favorável ao Cristianismo.
  4.   No início do ano 313 A. D., o Cristianismo tinha alcançado uma poderosa vitória sobre o paganismo. Um novo imperador veio ocupar o trono do Império Romano. ele evidentemente reconheceu algo do misterioso poder dessa religião que continuava a crescer, não obstante a intensidade da perseguição. A História diz que este Imperador que não era outro senão Constantino, teve uma maravilhosa e real visão. Divisou no céu uma CRUZ de brilhante luz vermelha na qual estavam escritas a fogo as seguintes palavras: "Com este sinal vencerás". Constantino interpretou isto como uma ordem para que se tornasse cristão. Entendeu ainda que abandonando o paganismo e uniu do o poder temporal do Império Romano ao poder espiritual do Cristianismo o mundo seria facilmente conquistado. Deste modo, a religião cristã se tornaria uma religião universal e o Império Romano o Império de todo o mundo.
  5.   Assim sob a liderança do Imperador Constantino veio um descanso, um galanteio e uma proposta de casamento. Império Romano por intermédio do seu imperador pediu em casamento o Cristianismo. "Dê-nos o seu poder espiritual e em troca lhe daremos nosso poder temporal."
  6.    Para tornar efetiva e consumada esta profunda união, um concílio foi convocado. Em 313 A. D. foi feita uma convocação para que fossem enviados, juntamente, representantes de todas as igrejas cristãs. Muitas, mas nem todas, vieram. A aliança estava consumada. Uma hierarquia foi formada. Na organização desta hierarquia Cristo foi destronado como cabeça das igrejas e Constantino foi entronizado (ainda que temporariamente, já se vê) como cabeça da igreja.
  7.   A hierarquia estava definitivamente começando a desenvolver-se no que conhecemos hoje como igreja Católica ou universal. Pode-se dizer que isso tinha começado, se bem que, indefinidamente, já no fim do 2o século ou no início do 3o quando as novas idéias com referência aos bispos e ao governo da Igreja começaram a se formar.
  8.  Deve ser também claramente lembrado que, quando Constantino fez a convocação para o citado Concílio houve muitos cristãos (batistas) que deixaram de responder à mesma. Eles não aprovavam o casamento da religião com o estado, nem a centralizarão do governo religioso, nem a criação de um tribunal religioso mais elevado, de qualquer espécie que não fosse a Igreja local. Estes cristãos (batistas) bem como suas igrejas deste tempo ou mais tarde não aceitaram a hierarquia denominacional católica.
  9.    Quando esta hierarquia foi criada, Constantino, que tinha sido feito o seu cabeça, não era ainda cristão. Ele tinha decidido tornar-se, mas como as igrejas que o acompanharam na fundação desta organização hierárquica, tinham adotado o erro da regenerarão batismal, uma série questão se levantou na mente e Constantino"Se eu sou salvo dos meus pecados pelo batismo, como escapar os meus pecados posteriores ao batismo?" Constantino levantou assim. uma questão que iria perturbar o mundo em todas as gerações seguintes. Pode o batismo lavar de antemão os pecados não cometidos? Ou, são os pecados cometidos antes do batismo lavados por um processo (isto é, pelo batismo) e os cometidos depois do batismo, por um outro processo?
  10.   Não tendo sido possível resolver satisfatoriamente a muitas questões assim levantadas, Constantino resolveu finalmente unir-se aos cristãos, mas adiando o seu batismo para mais perto da morte, porque assim todos os seus pecados poderiam se lavados de uma só vez. Este propósito ele seguiu e não havia sido ainda batizado até pouco antes da sua morte.
  11.   Abandonando a religião pagã e aderindo ao Cristianismo, Constantino incorreu em séria reprovação por parte do Senado Romano. Eles repudiaram ou, ao menos, opuseram-se à sua resolução. Esta oposição resultou finalmente na mudança da sede do Império de Roma para Bizânico, uma velha cidade reedificada, que logo depois teve o nome mudado para Constantinopla, em honra a Constantino. Como resultado surgiram duas capitais para o Império Romano: Roma e Constantinopla. Essas duas cidades, rivais por vários séculos, por fim se tomaram o centro da Igreja Católica dividida: Romana e Grega.
  12.    Até à organização da hierarquia e da união entre a Igreja e o Estado todas as perseguições ao Cristianismo tinham sido feitas pelo judaísmo ou então pelo paganismo. Agora houve uma séria mudança. Os cristãos nominais começaram a perseguir os cristãos. 0 desejo de Constantino de ter todos os cristãos unidos a ele, expressa pela sua nova idéia de uma religião unida ao Estado e opondo-se a muitos que conscientemente repudiavam o afastamento dos ensinos do Novo Testamento começou a usar o poder do governo para os perseguir. Começaram então os dias e anos e até séculos de uma tenaz perseguição contra os cristãos que eram leais ao Cristianismo original e aos ensinos apostólicos.
  13.     Lembremo-nos agora que estamos considerando eventos que se deram entre os anos 300 e 500 A. D. A hierarquia organizada sob a liderança de Constantino, rapidamente se concretizou naquilo que agora conhecemos como Igreja Católica. E a novel igreja se associou ao governo temporal, não mais para ser simplesmente a entidade executiva das leis completas do Novo Testamento, mas começou a ser legislativa, começando a emendar e anular leis primitivas, bem como a criar regras completamente estranhas à letra e ao espírito do Novo Testamento.
  14.    Uma das primeira ações legislativas da Igreja, e uma das mais subversivas quanto aos resultados foi o estabelecimento, por lei, do batismo infantil. Em virtude desta lei o batismo infantil tornou-se compulsório. Isto ocorreu em. cerca de 416 A. D. Ele já existia, em casos esparsos, provavelmente, um século antes desde decreto. Mas, com a efetivação por lei desta prática dois princípios do Novo Testamento foram naturalmente abordados: - o do "batismo dos crentes" e o da "obediência voluntária ao batismo".
  15.   Como conseqüência inevitável desta nova doutrina e lei, ,as igrejas desviadas foram rapidamente se enchendo de membros inconversos. E de fato não se passaram muitos anos até que a maioria, provavelmente, de seus membros fosse composta de pessoas não regeneradas. Assim os grandes interesses espirituais do Reino de Deus caíram nas mãos de um incrédulo poder temporal. Que se poderia esperar então?
  16.   Por outro lado, os crentes e igrejas leais rejeitaram esta nova lei. Certamente que o "batismo de crentes", o "batismo do Novo Testamento" era a única lei para eles. Eles não só recusaram a batizar suas crianças, mas, crendo que o batismo devia ser ministrado a crentes somente, recusaram também aceitar como válido o batismo feito pelas igrejas anti-escriturísticas. Se alguns dos membros da igreja hierárquica quisessem se filiar a uma das igrejas fiéis era-lhes exigido uma experiência cristã e o rabatismo.
  17.  O rápido curso seguido pelas igrejas leais provocou um grande desprazer aos fanáticos da religião do Estado, muitos, senão a maioria, dos quais não era de genuínos convertidos. O nome "cristão" entretanto foi negado às igrejas que não aceitavam os novos erros. Uma vez privados disto, foram chamados por outros nomes, alguns por uns e outros por outros, como sejam: Montanistas, Tertulianistas, Novacianos, Patelina, e alguns, ao menos, por causa do costume de rebatizar os que haviam sido batizados na infância, foram chamados "Anabatistas".
  18.   Em 426 A.D., justamente 10 anos depois do estabelecimento legal do batismo infantil, foi iniciado o tremendo período que conhecemos como "Idade das Trevos" (Idade Média, nota do trad.). Que período! Quão tremendo e sanguinolento o foi! A partir de então, por mais uma dezena de séculos o rasto do cristianismo do Novo Testamento foi grandemente regado pelo sangue dos cristãos. Observe no mapa alguns dos muitos O Rasto de Sangue diferentes nomes suportados pelos perseguidos. Vários destes nomes foram dados por causa de alguns atos heróicos de determinado líder e alguns por outras causas, sendo que os nomes assim dados variavam freqüentemente, tanto com os países,; como com o correr do tempo.
  19.   Foi ainda no alvorecer da "Idade das Trevas" que o Papismo tomou corpo definitivo. Seu inicio data de Leão II de 440 a 461 A.D. Este título, semelhantemente ao nome dado à Igreja Católica, tinha possibilidade de um amplo desenvolvimento. O nome aparece aplicado primeiramente, para designar o bispo de Roma, 296404 A.D. mas foi formalmente adotado pela primeira vez por Cirilo, bispo de Roma 384-398. Mais tarde foi adotado oficialmente por Leão II, 440461. Sua universalidade foi reclamada em 707. Alguns séculos mais tarde foi declarado por Gregório VII, ser o titulo exclusivo do Papado.
  20.  Agora darei uma súmula dos mais significativos eventos deste período de cinco séculos:
  21.     A mudança gradual do governo democrático da Igreja para o governo eclesiástico.
  22.     A mudança da salvação pela graça para a salvação pelo batismo.
  23.     A mudança do batismo de crentes para batismo infantil.
  24.     A hierarquia organizada. Casamento da Igreja com Estado.
  25.     A sede do Império mudada para Constantinopla.
  26.     O Batismo Infantil estabelecido por lei e tornado compulsório .
  27.     Os cristãos nominais começam a perseguir os cristãos.
  28.     A "Idade de Trevas" começa em 426 A. D.
  29.     A espada e a tocha, de referência ao Evangelho, que se tornou o poder de Deus para a salvação.
  30.  Todo o vestígio de liberdade religiosa é desfeito, coberto e enterrado por muitos séculos.
  31.  As igrejas fiéis ao Novo Testamento são perseguidas e tratadas por nomes diversos. São ainda açuladas para o mais longe possível do poder temporal católico. O remanescente destas igrejas se espalhou por todo o mundo e é achado, talvez escondido, em florestas, montanhas, vales, antros e cavernas da terra.

 

Fonte autorizada pelo autor.

site www.obreiroaprovado.com (palavra prudente)          Autor: J. M. CARROLL

Adaptado:Pr. Adelcio Ferreira

 

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