Escola publica ou local de fazer Missas?

Um fato ocorrido aqui na cidade de Natércia no dia 26-06-2017 me fez realizar esta pequena crônica sobre o assunto. Um sacerdote religioso adentra uma creche, lugar onde se encontra crianças de 0 a 5 anos de idade com uma imagem de escultura onde estas crianças foram aliciadas a prestar culto, reverencia e/ou adoração a imagem. Sendo que nesta creche há diversidade religiosa entre as crianças, bem como 6 crianças são de nossa denominação Batista aqui na cidade. Além das demais igrejas protestantes aqui existentes, não podemos afirmar se havia alguma criança ali neste dia. Mais de nossa denominação havia 6 crianças e algumas chegaram cantado cânticos ensinados segundo as crianças pelo sacerdote que ali se apresentou. Segundo os pais as crianças insinuaram que sua mãe estava no céu, sendo que ao perguntarem os pais onde aprenderam isso? Disseram elas (as crianças): aprendemos com o (moço) sacerdote católico que foi à escola.

Aulas de religião na escola pública. Pode? Sim, de acordo com a Constituição brasileira e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), desde que não sejam obrigatórias para os alunos e a instituição assegure o respeito à diversidade de credos e coíba o proselitismo, ou seja, a tentativa de impor um dogma ou converter alguém. Mas faz sentido oferecer a disciplina na rede pública? Desta vez, a resposta é não, e os motivos são três.

1-  Tem a ver com a dificuldade de cumprir o que é determinado legalmente. A começar pelo caráter facultativo. O que fazer com os estudantes que, por algum motivo, não queiram participar das atividades? Organizar a grade para que eles tenham como opção atividades alternativas é o que se espera da escola. Porém, não é o que acontece em muitas redes. Nelas, nenhum aluno é obrigado a frequentar as aulas da disciplina, mas, se não o fizerem, têm de descobrir sozinhos como preencher o tempo ocioso. A lei não obriga a rede a oferecer uma aula alternativa, mas é contraditório permitir que as crianças fiquem na escola sem uma atividade com objetivos pedagógicos.  A questão da diversidade, outro item previsto na lei, também não é uma coisa simples de ser resolvida. Como garantir que todos os grupos religiosos - incluindo divisões internas e dissidências - sejam respeitados durante o programa em um país plural como o nosso? Dados do Censo Demográfico 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que 64,6% da população se declara católica, 22,2% evangélica, 2% espírita, 3% praticante de outras religiões e 8% sem religião.

2-  É de foro íntimo e tem a ver com as escolhas de cada um e com o respeito às opções dos outros. De que forma assegurar que o professor responsável por lecionar Ensino Religioso não incorra no erro de impor seu credo aos estudantes? Ou que aja de maneira preconceituosa caso alguém não concorde com suas opiniões? É fato que todos, educadores e alunos, têm o direito de escolher e exercer sua fé. Está na Constituição também. Não há mal algum em rezar, celebrar dias santos, frequentar igrejas (ou outros templos), ter imagens de devoção e portar objetos, como crucifixos e véus. Porém, em hipótese alguma, a escola pode ser usada como palco para militância religiosa e manifestações de intolerância. É bom lembrar que a mesma carta magna determina que o Estado brasileiro é laico e, por meio de suas instituições, deve se manter neutro em relação a temas religiosos.

3- Cabe a ela usar os dias letivos para ensinar aos estudantes os conteúdos sobre os diversos campos do conhecimento. Há tempos, sabe-se que estamos longe de cumprir essa obrigação básica. Os resultados de avaliações como a Prova Brasil e o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, sigla em inglês) comprovam com clareza essa falta grave. Boa parte dos estudantes conclui o Ensino Fundamental sem alcançar proficiência em leitura, escrita e Matemática. Além disso, há que se avaliar um argumento usado por quem defende o Ensino Religioso como forma de tratar de valores morais. Sem dúvida, é importante que a escola explore esse tema, mas desde que ele perpasse todo o currículo e esteja presente no discurso e nas atitudes de toda a comunidade escolar. Por isso, não faz sentido falar de moral nas aulas sobre religião e nas atividades alternativas oferecidas para quem optar por não cursar a disciplina. Caso sejam necessárias intervenções sacerdotais de ensino religioso os pais devem ser comunicados, como o são nas demais atividades extracurriculares da escola (creche) é a que divulgamos aqui o fato.

Igreja Batista da Provisão 

 

Fontes ligadas ao texto: alguns grifos nossos, e pesquisa em sites da internet(https://novaescola.org.br/conteudo/74/ensino-religioso-e-escola-publica)

Foto : retirada de publicações na internet. Onde atesta a pratica de ensino religioso em horário de aula das crianças da creche. Incluindo as de outra confissão religiosa. Fotos foram divulgadas no facebook, contrariando os pais destas crianças que tem profissão de fé diferentes.

Comentários

Santos em 29/06/2017 18:29:45
Imagina um católico lendo isso...

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